sábado, 6 de fevereiro de 2016

Allan Kardec


    
     Hippolyte-Léon Denizard Rivail nasceu em 3 de outubro de 1804, na cidade de Lyon, França; e tornou-se célebre com o pseudônimo de Allan Kardec.
     Em Lyon fez os seus primeiros estudos, seguindo depois para Yverdon, na Suíça, a fim de estudar no Instituto do célebre professor Johann Heinrich Pestalozzi, que era a escola-modelo da Europa. 
     Concluídos os seus estudos em Yverdon, regressou a Paris, onde tornou-se Mestre não só em Letras como em Ciências. Estudou diversas línguas como o italiano e o alemão. Veio a conhecer no mundo literário de Paris a professora Amélie-Gabrielle Boudet, contrai com ela matrimônio. 
     Rivail publicou numerosos livros didáticos. Entre suas obras, destacam-se: Curso teórico e prático de aritmética, Gramática francesa clássica, além de programas de cursos de Física, Química, Astronomia e Fisiologia. Ao término desta experiência pedagógica, o professor Hippolyte estava preparado para a tarefa de codificar o Espiritismo. 
     Começa então a missão de Allan Kardec quando, em 1854, ouviu falar pela primeira vez das "mesas girantes", por meio do seu amigo Fortier, que o convida para assistir a uma reunião de mesas falantes. 
     Pensando em descobrir novos fenômenos ligados ao magnetismo, pelo qual se interessava, aceita o convite.  Depois de algumas sessões, começou a questionar para achar uma resposta lógica que pudesse explicar o fato de objetos inertes emitirem mensagens inteligentes. 
     Rivail se perguntava: como pode uma mesa pensar sem ter cérebro e sentir sem ter nervos? Mais tarde chegaria a conclusão de que não era a mesa quem respondia, e sim, as almas dos homens que já tinham vivido na Terra e que agora se valiam dela para se comunicarem. 

     VIDA ESCOLAR

     A educação transmitida por Pestalozzi marcou profundamente a vida futura do jovem Rivail, consequentemente, seu trabalho na Codificação Espírita. 
     Fez em Lyon os seus primeiros estudos e os completou em seguida, em Yverdon (Suíça), com o célebre professor Pestalozzi, de quem cedo se tornou um dos mais eminentes discípulos, colaborador inteligente e devotado. Aplicou-se, de todo coração à propaganda do sistema de educação que exerceu tão grande influência sobre a reforma dos estudos na França e na Alemanha. 
     Desde os 14 anos explicava aos colegas, as lições do Mestre, visto que a sua inteligência, tão aberta e tão ativa, captava as lições de Pestalozzi tão logo eram enunciadas na sala de aula. Foi nessa escola que se desenvolveram as ideias que mais tarde deviam fazer de Rivail um observador atento, meticuloso, um pensador prudente e profundo. 
     As dificuldades por que passou inicialmente, devidas ao fato de ser católico num país protestante, o levaram, desde cedo, a ser tolerante e o transformaram num homem de progresso, num livre-pensador judicioso, querendo compreender primeiro, antes de acreditar naquilo que lhe ensinavam. 
     Muitas vezes, quando Pestalozzi era chamado pelos governos, para fundar institutos semelhantes ao de Yverdon confiava a Denizard Rivail o encargo de o substituir na direção da sua escola. 
     O discípulo tornado Mestre tinha a capacidade para a tarefa que lhe era confiada. Linguista insigne, conhecia a fundo e falava fluentemente o alemão, o inglês, o italiano e o espanhol; conhecia também o holandês, e podia facilmente exprimir-se nesta língua. 
     Mais tarde, veio fundar em Paris um estabelecimento semelhante ao de Yverdon. 
     Em 30 de abril de 1856, uma mensagem foi destinada especificamente para ele. Um Espírito chamado "Verdade" revelou-lhe a missão a desenvolver. 
     Daria vida a uma doutrina, que viria dar luz aos homens, esclarecer consciências, renovando e transformando o mundo inteiro. 
     Kardec afirmou que não se considerava um homem digno para uma tarefa de tal magnitude, não obstante, faria todo o possível por desempenhar as obrigações que lhe tinham sido encomendadas. No que tange ao método, Kardec adota o intuitivo-racionalista Pestalozziano: teoria, teoria-prática e prática na aprendizagem. 
     Em 18 de abril de 1857 publica O livro dos espíritos, contendo perguntas feitas através de diferentes médiuns aos Espíritos superiores. Por sugestão dos próprios Espíritos, assina com o pseudônimo de Allan Kardec, nome que tivera numa existência anterior quando fora sacerdote druida. 
     No ano de 1858 edita a Revista Espírita, em 1º de abril funda a primeira Sociedade Espírita - Société Parisienne des Études Spirites - Sucessivamente publica O livro dos médiuns, O evangelho segundo o espiritismo, O céu e o inferno e A gênese.         
     Trabalhador infatigável, chamado por Camille Flammarion o bom senso encarnado, Allan Kardec, desencarna a 31 de março de 1869. 


Bibliografia:
Allan Kardec para todos: síntese ilustrada das obras do codificador do Espiritismo / organizado por Luiz Raynaud Hu Rivas. - 1. ed. 1. imp. - Brasília: FEB, 2014.

                                          Allan Kardec, o Educador (documentário)

                                                                                                           

              



segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

TRÊS TIPOS DE CIÊNCIAS

                                           
Para Ken Wilber, a ciência é a religião de hoje. Se a ciência estabelecer algo, deve ser verdadeiro. Se a ciência não estabelecer algo, não pode ser verdadeiro. É assim que a filosofia moderna a tem.
Mas a ciência abrange toda a realidade? Já que a ciência é baseada no que os sentidos físicos (geralmente com a ajuda dos instrumentos) nos dizem, é sensato depender totalmente desta fonte de conhecimento? Quem já enxergou as emoções ou os pensamentos com o olho físico? Isso é razão suficiente para negar a existência deles? Ou estamos deixando algo escapar?
"Ausência de prova não é prova de ausência", podemos dizer. Acreditar que a ciência abrange TODA a realidade não é algo realmente científico, porque temos que negar outras formas de experiência humana, como nossos sentimentos de identidade mais profundos. Isso é o que podemos chamar de "cientismo".
Veja que a própria ciência não tem rejeitado a crença na alma, nas esferas superiores, nas realidades transcendentais, como muitas pessoas instruídas acreditam. Está na hora de corrigirmos este status extremamente desigual.
Basicamente, a realidade abrange pelo menos três domínios:
1. Aquele que podemos ver com nossos sentidos
2. Aquele que podemos ver com nosso "olho interior"
3. Aquele que vê, tanto externamente quanto interiormente: o Self
Repare que todos os três podem ser estudados de uma maneira científica! Mas qual é o significado de "científico"?
Wilber argumenta que a ciência de maneira alguma deve implicar em materialismo. Na verdade, ciência envolve três elementos:
1. Seguir uma instrução, injunção ou paradigma
2. Apreender algo sobre esta realidade específica
3. Comparar nossas descobertas com as dos outros
Esses três "elementos" operam na ciência de uma forma óbvia: um astrônomo (1) olha através de um telescópio, (2) observa uma certa região do universo e (3) discute suas descobertas com colegas astrônomos (e NÃO conosco, meros mortais, um ponto muito importante).
Wilber defende a existência de dois outros tipos de ciência, que seguem o mesmo procedimento formal: A ciência mental ou social (o que os europeus chamam de Geisteswissenschaft) não observa os objetos físicos, mas os significados mentais, que podem ser encontrados em documentos, histórias, mitos, relatos e livros. O significado de um texto não pode ser visto com o olho físico, mas apenas com o "olho da razão". Seguindo os três fios da ciência, a ciência mental é perfeitamente científica. (Lógico, os objetos mentais não são tão concretos quantos os físicos. Assim, as conclusões da ciência mental não podem equiparar às da física. Mas e daí?).
E há um terceiro tipo de ciência, segundo Wilber. Pois afinal a realidade compreende apenas coisas e pensamentos? E o princípio em nós que vê e pensa? O self que vê e pensa não pode ser visto e não é um pensamento. Mas pode ser abordado experimentalmente na meditação. Assim, a "ciência espiritual" nasce. A meditação e a yoga contam como "ciência" porque elas também seguem os três fios: (1) instrução – sentamos numa almofada por horas, (2) observação – percebemos um estado da mente, e (3) confirmação – discutimos nossas descobertas com colegas que também meditam.
Para concluir: Wilber defende três tipos de ciência, já que a realidade é composta de pelo menos três domínios, e todos os três domínios (matéria bruta - mente - espírito) podem ser abordados de uma maneira experimental e, portanto, científica.

Trecho do texto de Ken Wilber traduzido por Moacyr Castellani e Priscila. 
Obs.: Há no artigo pequenas modificações minhas, realizadas com o intuito de transmitir melhor a ideia do autor.


É O ESPIRITISMO UMA RELIGIÃO?

  

    O Espiritismo está baseado na existência de um mundo invisível, formado de seres incorpóreos que povoam o espaço e que não são outra coisa senão as almas dos que viveram na Terra, onde deixaram os seus invólucros materiais. São esses seres aos quais demos, ou melhor, que se deram o nome de Espíritos.
    Esses seres, que nos rodeiam continuamente, exercem sobre os homens, malgrado seu, uma poderosa influência; representam um papel muito ativo no mundo moral e, até certo ponto, no mundo físico. Assim, pois, o Espiritismo pertence à Natureza e pode-se dizer que, numa certa ordem de idéias, é uma força, como a eletricidade é outra, sob diferente ponto de vista, como a gravitação é uma terceira.
    Ele nos desvenda mundos invisíveis, assim como o microscópio nos desvendou o mundo dos infinitamente pequenos, cuja existência não suspeitávamos.
    Melhor observado, o Espiritismo vem lançar luz sobre uma porção de problemas até aqui insolúveis ou mal resolvidos. E a prova é que conta como aderentes homens de todas as religiões ou crenças, os quais, nem por isso, renunciaram às suas convicções: católicos fervorosos, que praticam todos os deveres de seu culto, protestantes de todas as seitas, israelitas, muçulmanos e até budistas.
    Assim, pois, o Espiritismo se fundamenta em princípios gerais independentes de toda questão dogmática. Suas consequências são no sentido do cristianismo, porque é este de todas as doutrinas, a mais esclarecida, a mais pura, razão por que, de todas as seitas religiosas do mundo, são as cristãs as mais aptas a compreendê-lo em sua verdadeira essência.
    O Espiritismo não é, pois, uma religião. Do contrário teria seu culto, seus templos, seus ministros. Seu verdadeiro caráter é, pois, o de uma ciência e não de uma religião propriamente dita. Sem dúvida cada um pode transformar suas opiniões numa religião, interpretar à vontade às religiões conhecidas; mas daí à constituição de uma nova Igreja há uma grande distância. Procurai no Espiritismo aquilo que vos pode melhorar. Eis o essencial. Quando os homens forem melhores, as reformas sociais realmente úteis serão uma consequência natural. Trabalhando pelo progresso moral, lançareis os verdadeiros e mais sólidos fundamentos de todas as melhoras.
    Visando a desacreditar o Espiritismo, pretendem alguns que ele vai destruir a religião. Sabeis exatamente o contrário, pois a maioria de vós, que apenas acreditáveis em Deus e na alma, agora creem; quem não sabia o que era orar, ora com fervor; quem não mais punha os pés nas igrejas, agora vai com recolhimento. Aliás, se a religião devesse ser destruída pelo Espiritismo, é que ela seria destrutível e o Espiritismo seria mais poderoso. Dizê-lo seria uma inabilidade, pois seria confessar a fraqueza de uma e a força do outro. O Espiritismo é uma doutrina moral que fortifica os sentimentos religiosos em geral e se aplica a todas as religiões. É de todas, e não é de nenhuma em particular. Por isso não diz a ninguém que a troque. Deixa a cada um a liberdade de adorar a Deus à sua maneira e de observar as práticas ditadas pela consciência, pois Deus leva mais em conta a intenção que o fato.
                                                                                                                       Allan Kardec.

Revista Espírita – 1859
Trecho da refutação de um artigo de “L’UNIVERS” em 13 de abril de 1859.

Obs.: O termo "seita" em 1859 não tem o teor pejorativo que hoje o atribuímos.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Ciclos reencanatórios segundo a Doutrina Espírita

                                     "Naître, mourir, renaître encore et
                               progresser sans cesse, telle est la loi".
                                                   Allan Kardec (1804-1869)

    Reencarnar significa, simplesmente, voltar à carne novamente, tornar a nascer.
   A palavra reencarnação equivale a renascimento. Outro termo também é usado: palingenesia (ou palingênese) que etimologicamente provém do grego: palin = de novo, e gignomai = gerar, isto é: novo nascimento.
   Metempsicose, derivada do grego, metempsykhosis, uma palavra empregada impropriamente no mesmo sentido, foi levada do Egito para a Grécia por Pitágoras. Seu significado, entretanto, é um tanto diferente, pois supõe ser possível a transmigração das almas, após a morte, de um corpo para o outro, sem ser obrigatoriamente dentro da mesma espécie.  Esta crença, podemos assim dizer, foi aceita por alguns gregos.
   A propriedade semântica do termo metempsicose teria sido contestada por Plotino (205-270 a.D.) e Orígenes (185-254 a.D). Plotino teria sugerido que se o substituísse por metensomatose, uma vez que haveria, na realidade, mudança de corpo (soma), e não de alma (psykhé).
  É a metempsicose geralmente confundida com a reencarnação, porém, o significado desta palavra inclui o renascimento em outras espécies inferiores ou em outros reinos além do reino animal, como o mineral e o vegetal. Por não ter nenhum apoio em observação de caráter científico realizada até o momento, esta possibilidade é excluída. Ao que parece, a metempsicose, fazia parte de ensinamentos exotéricos transmitidos aos não iniciados. Seu alvo seria conter os impulsos criminosos das massas humanas incultas, empregando-se a "ameaça" de uma renascimento doloroso na forma de vegetal ou de um animal, sujeito a sofrimentos e humilhações. Equivale à condenação às penas eternas do inferno, prometida aos ímpios por algumas religiões do Ocidente.  
   A reencarnação quer dizer o renascimento do espírito no plano físico. Utiliza-se o termo com relação à pluralidade das existências.
   166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corporal, acabar de depurar-se?
Sofrendo a prova de uma nova existência. (O Livro dos Espíritos)
    166-b. A alma passa então por muitas existências corporais?
Sim, todos nós temos muitas existências corporais. Os que dizem o contrário querem manter-vos na ignorância em que eles próprios se encontram; esse é o desejo deles. (O Livro dos Espíritos)

   Todos os Espíritos (criados simples e ignorantes) tendem a perfeição, e Deus lhes faculta os meios de alcançá-la, proporcionando-lhes as provações da vida corporal. Sua justiça, porém, lhes concede realizar, em novas existências, o que não puderam fazer ou concluir numa primeira prova.    A cada nova existência, o Espírito dá um passo na senda do progresso e quando limpo de todas as impurezas, não tem mais necessidade da vida corporal. O número das reencarnações para todos os espíritos é ilimitado, tantas vezes sejam necessárias, sendo menor naquele que progride mais depressa.

Ivan L. Costa

Bibliografia:
ANDRADE, H. G. Você e a reencarnação, Bauru. CEAC, 2002
RIVAS, Luis Raynaud Hu, 1975, Allan Kardec para todos: síntese ilustrada das obras do Codificador do Espiritismo. 1. ed. 1. imp., Brasília: FEB, 2014

   
 

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Um estudo sobre a morte


          Segundo Léon Denis, eminente pensador espírita, a morte é uma simples mudança de estado, a destruição de uma forma frágil que já não proporciona à vida as condições necessárias ao seu funcionamento e à sua evolução. O Espírito, debaixo da sua forma fluídica, imponderável, prepara-se para novas reencarnações.
          Se fizermos um estudo mais aprofundado sobre o assunto iremos verificar que, por toda a parte se encontra a vida. A Natureza inteira mostra-nos, no seu panorama, a renovação perpétua de todas as coisas. Em parte alguma há a morte, como, em geral, é considerada entre nós; em parte alguma há o aniquilamento; nenhum ente pode perecer no seu princípio de vida, na sua unidade consciente.
          De forma poética afirma Denis: "A vida do homem é como o Sol das regiões polares durante o estio. Desce devagar, baixa, vai enfraquecendo, parece desaparecer um instante por baixo do horizonte. É o fim, na aparência; mas, logo depois, torna a elevar-se para novamente descrever a sua órbita imensa no céu".
          Toda morte é um parto, um renascimento; é a manifestação de uma vida até aí latente em nós, vida invisível da Terra, que vai reunir-se à vida invisível do Espaço. Depois de certo tempo de perturbação, tornamos a encontrar-nos no além, na plenitude das nossas faculdades e da nossa consciência, junto dos seres amados que compartilharam as horas tristes ou alegres da nossa existência terrestre.
          Seres que choramos e que vamos procurar no cemitério, muitas vezes, estão ao nosso lado. Vêm velar por nós aqueles que foram o amparo da nossa juventude, que nos embalaram nos braços, os amigos, companheiros das nossas alegrias e das nossas dores, bem como todos os seres que encontramos no caminho.
          Para a maior parte dos indivíduos, a morte continua a ser o grande mistério, o sombrio problema que ninguém ousa olhar de frente. Para nós, ela é a hora bendita em que o corpo cansado retorna à grande Natureza para deixar à Psique, sua prisioneira, livre passagem para a Pátria Eterna.
          Temos que ter em mente é que a morte não nos priva das coisas deste mundo. Continuaremos a ver aqueles a quem amamos e deixamos atrás de nós. Do seio dos Espaços seguiremos os progressos deste planeta; assistiremos às mudanças que ocorrem à sua superfície; assistiremos as novas descobertas, ao desenvolvimento social, político e religioso das nações, e, até à hora do nosso regresso à carne, em tudo isso havemos de cooperar fluidicamente, auxiliando, influenciando, na medida do nosso poder e do nosso adiantamento, aqueles que trabalham em proveito de todos.  
          Bem longe de afugentar a ideia da morte, como em geral o fazemos, saibamos, pois, encará-la face a face, pelo que ela é na realidade. Esforcemo-nos por desembaraçá-la das sombras e das quimeras com que a envolvem e averiguemos como convém nos prepararmos para este incidente natural e necessário do curso da vida.
          Com efeito, o que aconteceria se a morte fosse suprimida? O Globo iria se tornar estreito demais para conter a multidão humana. Com a idade e a velhice, a vida iria nos parecer, em dado momento, de tal modo insuportável, que preferiríamos tudo à sua prolongação indefinida. Chegaria um dia em que, tendo esgotado todos os meios de estudo, de trabalho, de cooperação útil à ação comum, a existência revestiria para nós um caráter acabrunhador de monotonia.
          Não há nenhuma possibilidade de dúvida quanto a continuidade da vida humana após a morte. Tudo quanto sabemos sobre a Natureza, as coisas e os seres, mostra-nos que formas vivas estão sujeitas a morrer, mas não a se extinguirem. A extinção total, absoluta, de qualquer coisa implica um ilogismo, um contrassenso no campo do conhecimento, uma violação das leis admitidas. Se, por um lado, nada se acaba nem se perde tudo se transforma na Natureza, por outro lado, como estabeleceu Kardec com a expressão: "Tudo se encadeia no universo", ou seja, a nossa concepção possível da realidade universal é monista, não podemos admitir nada separado ou isolado na estrutura do Universo.
          Podem tranquilizar-se os que "perderam" seres amados na voragem da morte. Nada se perde, tudo se transforma. O homem deixa o corpo na Terra e passa naturalmente para outra dimensão da matéria, que se refina e aprimora na escala gloriosa. A imortalidade do ser humano foi provada sempre nas pesquisas espíritas mais rigorosas, e continua a provar-se nas investigações atuais em todo o mundo. Há sempre um reencontro à nossa espera, nas dimensões infinitas do Cosmos. A morte do corpo não é a morte do ser. Este apenas se liberta da prisão material para prosseguir sua evolução no tempo e no espaço. Os mortos não morreram, são almas viajoras que partiram para mundos mais belos e livres.  

Ivan L. Costa 

Bibliografias:
DENIS, Léon. O Problema do ser, do destino e da dor. Rio de Janeiro: FEB, 1989.
PIRES, J. Herculano. O mistério do Ser ante a dor e a morte. São Paulo: Editora Paidéia, 1990.
PIRES, J. Herculano. Educação para a morte. São Paulo: Editora Espírita Correio Fraterno, 1996.