sexta-feira, 27 de julho de 2012

Um estudo sobre a morte


          Segundo Léon Denis, eminente pensador espírita, a morte é uma simples mudança de estado, a destruição de uma forma frágil que já não proporciona à vida as condições necessárias ao seu funcionamento e à sua evolução. O Espírito, debaixo da sua forma fluídica, imponderável, prepara-se para novas reencarnações.
          Se fizermos um estudo mais aprofundado sobre o assunto iremos verificar que, por toda a parte se encontra a vida. A Natureza inteira mostra-nos, no seu panorama, a renovação perpétua de todas as coisas. Em parte alguma há a morte, como, em geral, é considerada entre nós; em parte alguma há o aniquilamento; nenhum ente pode perecer no seu princípio de vida, na sua unidade consciente.
          De forma poética afirma Denis: "A vida do homem é como o Sol das regiões polares durante o estio. Desce devagar, baixa, vai enfraquecendo, parece desaparecer um instante por baixo do horizonte. É o fim, na aparência; mas, logo depois, torna a elevar-se para novamente descrever a sua órbita imensa no céu".
          Toda morte é um parto, um renascimento; é a manifestação de uma vida até aí latente em nós, vida invisível da Terra, que vai reunir-se à vida invisível do Espaço. Depois de certo tempo de perturbação, tornamos a encontrar-nos no além, na plenitude das nossas faculdades e da nossa consciência, junto dos seres amados que compartilharam as horas tristes ou alegres da nossa existência terrestre.
          Seres que choramos e que vamos procurar no cemitério, muitas vezes, estão ao nosso lado. Vêm velar por nós aqueles que foram o amparo da nossa juventude, que nos embalaram nos braços, os amigos, companheiros das nossas alegrias e das nossas dores, bem como todos os seres que encontramos no caminho.
          Para a maior parte dos indivíduos, a morte continua a ser o grande mistério, o sombrio problema que ninguém ousa olhar de frente. Para nós, ela é a hora bendita em que o corpo cansado retorna à grande Natureza para deixar à Psique, sua prisioneira, livre passagem para a Pátria Eterna.
          Temos que ter em mente é que a morte não nos priva das coisas deste mundo. Continuaremos a ver aqueles a quem amamos e deixamos atrás de nós. Do seio dos Espaços seguiremos os progressos deste planeta; assistiremos às mudanças que ocorrem à sua superfície; assistiremos as novas descobertas, ao desenvolvimento social, político e religioso das nações, e, até à hora do nosso regresso à carne, em tudo isso havemos de cooperar fluidicamente, auxiliando, influenciando, na medida do nosso poder e do nosso adiantamento, aqueles que trabalham em proveito de todos.  
          Bem longe de afugentar a ideia da morte, como em geral o fazemos, saibamos, pois, encará-la face a face, pelo que ela é na realidade. Esforcemo-nos por desembaraçá-la das sombras e das quimeras com que a envolvem e averiguemos como convém nos prepararmos para este incidente natural e necessário do curso da vida.
          Com efeito, o que aconteceria se a morte fosse suprimida? O Globo iria se tornar estreito demais para conter a multidão humana. Com a idade e a velhice, a vida iria nos parecer, em dado momento, de tal modo insuportável, que preferiríamos tudo à sua prolongação indefinida. Chegaria um dia em que, tendo esgotado todos os meios de estudo, de trabalho, de cooperação útil à ação comum, a existência revestiria para nós um caráter acabrunhador de monotonia.
          Não há nenhuma possibilidade de dúvida quanto a continuidade da vida humana após a morte. Tudo quanto sabemos sobre a Natureza, as coisas e os seres, mostra-nos que formas vivas estão sujeitas a morrer, mas não a se extinguirem. A extinção total, absoluta, de qualquer coisa implica um ilogismo, um contrassenso no campo do conhecimento, uma violação das leis admitidas. Se, por um lado, nada se acaba nem se perde tudo se transforma na Natureza, por outro lado, como estabeleceu Kardec com a expressão: "Tudo se encadeia no universo", ou seja, a nossa concepção possível da realidade universal é monista, não podemos admitir nada separado ou isolado na estrutura do Universo.
          Podem tranquilizar-se os que "perderam" seres amados na voragem da morte. Nada se perde, tudo se transforma. O homem deixa o corpo na Terra e passa naturalmente para outra dimensão da matéria, que se refina e aprimora na escala gloriosa. A imortalidade do ser humano foi provada sempre nas pesquisas espíritas mais rigorosas, e continua a provar-se nas investigações atuais em todo o mundo. Há sempre um reencontro à nossa espera, nas dimensões infinitas do Cosmos. A morte do corpo não é a morte do ser. Este apenas se liberta da prisão material para prosseguir sua evolução no tempo e no espaço. Os mortos não morreram, são almas viajoras que partiram para mundos mais belos e livres.  

Ivan L. Costa 

Bibliografias:
DENIS, Léon. O Problema do ser, do destino e da dor. Rio de Janeiro: FEB, 1989.
PIRES, J. Herculano. O mistério do Ser ante a dor e a morte. São Paulo: Editora Paidéia, 1990.
PIRES, J. Herculano. Educação para a morte. São Paulo: Editora Espírita Correio Fraterno, 1996.

 

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